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Cervejas artesanais à conquista da liquidez
sábado, 09-03-2013
Jornal de Notícias
Nasceram em garagens e aves e agora fazem furor em restaurantes, bares e lojas gourmet. Há cada vez mais interessados no negócio das cervejas artesanais e nem os pioneiros têm mãos para as encomendas.

Tiago Rodrigues Alves

De passatempo de amigos a negócio lucrativo. O consumo e a procura por cerveja artesanal cresce, cresce e não dá sinais de abrandar. Duas das pioneiras, a Sovina (3000 litros! mês) e a Vadia (1200 litros/mês), estão na produção máxima e só pensam na expansão. O negócio está tão apetecível que até do meio académico surgem novos projetos, como a Cerveja Artesanal do Minho.
Até dezembro do ano passado, candidataram-se a fundos do Prodep 120 projetos relacionados com cerveja. “Não só de produção, mas também de cultivo de lúpulo ou transformação de cubas vinícolas de inox em cubas cervejeiras”, afirma Octávio Costa, um dos organizadores do ArtBeerFest (ler caixa).
O fenómeno não tem passado despercebido aos principais agentes do mercado. “Já fomos abordados para colocar a nossa cerveja em grandes superfícies, mas recusámos.
Não queremos a massificação”, explica Arménio Martins, da Três Cervejeiros. Arménio, Alberto Abreu e Pedro Sousa lançaram a Sovina em 2011. Num ano e meio, a cave na Rua de Oliveira Monteiro, no Porto, já se tomou pequena para tanta procura.

Ir à boleia de Espanha
O que surpreende mais é que este crescimento surge numa conjuntura de retração. Segundo a Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja, o consumo de cerveja caiu 30% nos últimos três anos, estando em valores dos anos 80. Mesmo assim, a cerveja artesanal nacional ainda está longe dos níveis de outros países. Por exemplo, nos Estados Unidos da América 7% da cerveja consumida é artesanal”, refere Pedro Sousa. “Em Portugal ainda deve ser 0,0001% “, graceja Alberto Abreu.
Aqui ao lado, na vizinha Espanha, a cerveja artesanal teve o “boom” há uma década e atualmente há mais de 100 marcas a operar no segmento. Só na Galiza há 18. Fenómeno semelhante poderá estar a ocorrer em Portugal. “Estamos a 2% do que podemos crescer”, assegura Alberto Abreu. “Há sinais que permitem antecipar que, dentro de dois, três anos, o fenómeno vai notar-se muito mais”, antecipa Octávio Costa.



CAMINHA VAI TER EM JULHO FESTIVAL PARA 25 MIL PESSOAS

- De 11 a 14 de julho, a cerveja vai ser rainha na vila minhota de Caminha no 1.° Festival Internacional de Cervejeiras Artesanais e Mestres Cervejeiros. Espalhado por quatro praças e duas ruas, o evento espera atrair à foz do rio Minho cerca de z mil pessoas ao longo de quatro dias.

- Além da presença confirmada de cervejeiros artesanais nacionais, espanhóis e italianos, também estarão em Caminha alguns “guros” para dar “masterclasses”. Um dos principais objetivos do ArtBeerFest, que não se irá esgotar apenas na cerveja artesanal tradicional, é colmatar uma certa falta de cultura do consumidor ao nível da cerveja, colocar ao nível da cultura vinícola ou da cultura gastronómica que já estão bem implantadas.


CERVEJA EM TRÊS

1 No princípio é o malte
APÓS a trituração cio malte dos cereais, inicia-se a produção do mosto da cerveja com o processo de brassagem: o malte é misturado com água Quente para lhe passar o amido. Filtra-se o mosto e ferve-se, altura em que se junta o lúpulo, para ganhar aroma e amargor.

2 Arrefecer e fomentar
Depois de arrefecer ã temperatura ambiente, juntam-se leveduras para fermentar, transformando o açúcar em álcool e dióxido de carbono. Dependendo do tipo de cerveja, a fermentação dura sete a 12 dias. Antes desta terminar, a cuba é fechada com o dióxido de carbono a misturar-se no mosto, três dias.

3 Duas semanas a 4 graus
A fase de maturação é induzida com a redução da temperatura para 4 graus, durando duas ou mais semanas. Como esta cerveja não é filtrada nem pasteurizada, segue-se o enchimento dos envases e o seu acondicionamento no frio.


COM 63 EUROS PODE COMEÇAR A FAZER CERVEJA EM CASA

Sai barato e as possibilidades são ilimitadas. Para dar os primeiros passos na produção cervejeira, bastam 63,5 euros para encomendar o balde e material de fermentação e uma lata com o kit de cerveja Fazer demora cerca de 30 minutos e em cinco semanas terá 23 litros de cerveja prontos a beber. Para fazer mais, já só necessita de comprar as latas de kit que rondam os 15 euros e dão para outros 23 litros.
Se quiser aperfeiçoar a arte poderá fazer “upgrades” do material. Com 500 euros fica corri tudo o que precisa para fazer cerveja a partir do grão, mais trabalhoso e demorado, mas aqui abre- se todo um mundo de possibilidades. Poderá misturar vários tipos de grão e fermentação até encontrar urna cerveja realmente à sua medida. Se preferir uma aprendizagem personalizada, os Três Cervejeiros realizam worshops de um dia inteiro na sua fabrica no Porto. Fica por 73,8 euros, com almoço incluído, e, além de aprender a fazer, também poderá provar várias cervejas.



Amigos fizeram-se cervejeiros com ajudadas panelas

OLIVEIRA DE AZEMÉIS Nuno Marques e Nicolas ViIIard criaram a “Vadia”. Quando começaram, produziam 20 litros. Hoje, já produzem todos os meses 1200 litros

MILENE MARQUES

Começaram a fazer cerveja uma vez por mês, numa panela de 20 litros, para partilhar nos convívios de amigos, era ainda 2006. Hoje, produzem mais de 1500 litros mensalmente sob a marca “Vadia”.
É a partir de Ossela, Oliveira de Azeméis, que se difunde um conceito diferente de cerveja, a fresh beer” ou “cerveja fresca”, que oferece uma experiência próxima da bebida servida diretamente da cuba. Sem filtragem nem pasteurização, distingue-se por ser uma cerveja artesanal engarrafada como gás da fermentação e com menor teor alcoólico (5,1% e 5,5%). Para manter a qualidade original, é necessário conservara “Vadia” no frio e consumi-la em três meses.
Tudo começou quando dois amigos valecambrenses — profissionais da informática e eletrônica, mas com um gosto requintado por cerveja em comum - se entusiasmaram com uma primeira experiência de Nicolas Villard, engenheiro alimentar francês com especialização em cervejaria, radicado há 14 anos em Vale de Cambra.
“A cerveja tem este lado fenomenal que é o convívio no consumo, mas também no fabrico”, explica Nicolas. Passar horas a mexer o mosto na panela pedia isso e Nuno Marques e Victor Silva juntaram-se à causa, ainda na casa dos sogros de Nicolas.
Como 20 litros desapareciam num ápice, correram as panelas de 50 e 100 litros até chegarem à de 500 litros de um amigo, que escoavam nos contactos de proximidade.
“Aí percebemos que era muita cerveja e que havia que licenciar a atividade”, conta Nuno Marques.
Nessa altura, já tinham transformado o antigo aviário do avô de Nuno na atual cervejaria. Em 2009, registaram a marca. “Vadia” porque a sua produção “era a causa” dos constantes atrasos dos três, o que lhes valeu o rótulo de “vadios”.
Com o gosto entranhado, os novos mestres cervejeiros mandaram fazer as cubas, que desenharam, tendo já investido 100 mil euros do bolso na atividade (ainda reservada aos fins de semana). Só assim puderam dedicar-se à sua “cerveja fresca”.
Atualmente, aguardam que o Proder abra candidaturas para pedir um apoio de 200 mil euros, para a expansão. A Vadia tem já 50 clientes da restauração, mas dada a restrição térmica ainda não é distribuída fora do distrito de Aveiro.



Engenheiros querem criar marca a boleia de um ecomuseu

BRAGA Filipe Madeira e Francisco Pereira lançaram “Cerveja Artesanal do Minho”. Projeto teve génese na Universidade e contou com apoio de 500 mil euros

PEDRO VILA-CHÃ

Filipe Macieira e Francisco Pereira têm em curso um projeto revolucionário, de produção de cerveja artesanal do Minho. Propõem-se alavancar uma matriz empreendedora que reúne, num mesmo local, a fábrica e um ponto de degustação de cerveja e outros produtos gourmet.
A ideia nasceu, em 2010, num laboratório da Universidade do Minho, quando os dois engenheiros biológicos deram corpo a uma incubadora. O projeto cresceu, mantendo a identidade do produto com a região como fundamental para o licenciamento, tendo a ATAHCA (Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave) e coma Câmara de Vila Verde.
A ideia é “vender uma cultura cervejeira”, incorporando a produção num ecomuseu entre dois moinhos com mais de 200 anos, nas margens do rio Tojal, em Vila Verde. “Queremos criar uma cerveja com uma experiência à volta”. Os visitantes poderão inteirar-se, no Ecomuseu Engenho de Água, sobre o processo de produção, provando ingredientes e assistindo a todo o processo.
Em fase de instalação da empresa, os investigadores desenvolvem seis tipos de cerveja. “Somos engenheiros e temos conhecimentos que queremos aplicar. Por isso, estamos também a desenvolver os equipamentos, porque, por exemplo, a temperatura de fermentação é fundamental na produção de cerveja”, dizem. Assim, a quebra do malte é um processo delicado e central, desaconselhando-se a moagem.
Em Portugal, há poucos projetos de cerveja artesanal, enquanto em Espanha há mais de 100. Para o arranque, os jovens industriais contam com 500 mil euros, para um projeto que é comparticipado. Por isso, Filipe e Francisco criaram a Fermentum, empresa que oferece soluções de engenharia no ramo industrial de processos de fermentação, nomeadamente para a indústria vitivinícola, panificadora e cervejeira, em parceria com o Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho.
A “Cerveja Artesanal do Minho” revela-se especial, devido ao método artesanal de fabrico e o uso de matéria-prima 100% natural, que dão corpo a uma cerveja mais aromática, com um sabor mais intenso e uma ligeira turvação devido à filtração parcial da levedura.


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